quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Continuar



 Tudo são escolhas. E colheita. 

Você escolhe a cada instante e o próximo instante é construído com base nisso, ininterruptamente, cegamente muitas vezes, mas sem exceção alguma. 

Não tem o outro responsável, não tem destino soberano ou algoz invisível querendo te destruir, não tem nada maior que seu próprio livre arbítrio no escuro deste mundo material construindo uma estrada tijolo por tijolo, ou seria escolha por escolha. 

Quero descer! Quero parar! Quero voltar ... Não tem. Sem chance. Só pra frente. 

Aliás... Isso é o que não se escolhe, isso é imposto. Só pra frente. Sem parar. 

E nesta corrida sem muita direção ou placa de aviso (ou tem, mas não vemos porque estamos preocupados em não cair, em planejar, em lamentar... ) construimos uma história inteira. Primeiro corremos muito, planejamos muito, acreditamos muito... Tropeçamos, levantamos e nem sentimos quase a dor. 

Com o tempo o ritmo do caminhar vai diminuindo, a velocidade fica mais lenta e podemos apreciar melhor o caminho, e nossa condição nele. 

Aos poucos vemos o que fizemos de nós, de tudo, ao redor. Mas não para refazer, porque não há o botão "voltar" ou " refazer" , mas para poder pisar com verdade a partir dali, sem muita ilusão. 


E aí me vem a mesma pergunta... 'quem sofre mais, o iludido ou o desiludido?" 

E me vem outra mais recente... "O que sobra depois da desilusão?" Verdade? 

É. Verdade. 

E o que fazer com ela? 

Seguir. Isso é compulsório. Como? Por quê? Para quê? Para onde? 

Sem as ilusões são questões difíceis demais pra se responder com segurança. 

Mas seguimos. Isso não depende de nós.